Meus amigos

O papel dos avós

Pais e avós são parceiros na criação da criança, não concorrentes.É muito bom ser avó! Quem nunca escutou uma vovó coruja dando o seu relato sobre esta experiência?
Apesar de toda a mudança no contexto social - hoje muitas vovós são jovens senhoras que ainda estão inseridas no mercado de trabalho, que têm os seus compromissos sociais, namoros, viagens - ainda têm aquelas que ficam à disposição dos filhos e dos netos. E é sobre essas avós que são cuidadoras dos seus netos que gostaria de escrever.
A primeira e mais importante questão a ser considerada nesta situação é que a criança precisará de uma referência, isto é, alguém que possa de fato educá-la, orientá-la e atender as suas demandas no dia-a-dia. E se é a avó e o avô que estão com ela diariamente, eles precisam se ocupar desta função. Não é difícil que elas se sintam perdidas sobre sua função quando ficam boa parte do dia com a criança. Muitas abrem mão da sua habilidade como educadoras e acabam permitindo que as crianças façam (ou deixem de fazer) uma série de coisas importantes. Já escutei relatos como: "Eu fico com ele sim, afinal os pais precisam trabalhar, mas eles são os pais, então eles que devem educar!" Outra frase comum: "Já briguei muito com os meus filhos, já dei uns tapinhas, coloquei de castigo... Com ele é só brincadeira e mimo. Quero só curti-lo". Ainda existe um outro grupo que jura de pé junto que não faz as vontades e que ajuda a educar. No final o que acontece de fato é que desautorizam os pais da criança deixando-a fazer o quer. Mas não são apenas os avós os incoerentes nesta história. Os pais muitas vezes não suportam vê-los chamando atenção dos pequenos, muitos desses pais não permitem que os avós exerçam sua autoridade sobre a criança e que estabeleçam uma rotina para ela. Quando a família faz a opção de deixar a criança com os avós, seja porque acha mais saudável ou porque não pode arcar com uma babá ou creche, tudo tem que ficar muito claro. É importante lembrar que os avós não têm obrigação e por isso precisam ser vistos como parceiros nesta difícil tarefa de educar a criança. Educar aqui com um sentido mais amplo, considerando não só os valores morais e a saúde física, mas também a saúde emocional da criança. A primeira e mais importante questão a ser considerada nesta situação é que a criança precisará de uma referência, isto é, alguém que possa de fato educá-la, orientá-la e atender as suas demandas no dia-a-dia. E se é a avó e o avô que estão com ela diariamente, eles precisam se ocupar desta função.
O que acontece muitas vezes é que os "avós cuidadores" se comportam apenas como avós. A criança que convive diariamente com eles não poderá compreender e aprender algo se os avós acabam afrouxando em várias situações, as quais os pais talvez não cedessem. Por exemplo: se num final de semana a criança não quer comer o que está sendo oferecido a ela, vale fazer uma comidinha especial - pois estamos falando de exceção. Agora se a criança almoça todos os dias na casa da avó, precisa ter uma dieta saudável e aprender a comer uma variedade de alimentos, não dá para ceder. Os avós que estão em contato diário com a criança sem a presença dos pais precisam oferecer a ela um dia-a-dia em que as normas e regras da casa sejam
apresentadas para que assim possam ser internalizadas. As leis são organizadoras e sem elas a criança poderá adoecer psiquicamente. É claro que se houver diálogo entre pais e avós, tudo fica mais fácil, isto é, pode-se chegar a um denominador comum. Ainda assim seria ilusão pensar que a forma como a vovó e o vovô se relacionarão com o neto seguirá a todas as determinações pré-estabelecidas.  Por mais parecido que se possa pensar sobre a melhor forma de educá-la, são encontros diferentes, isto é, avós são avós - pais são pais.Também assistimos mães e pais insatisfeitos com algumas das atuações dos avós. O problema é quando passam a reclamar e a questionar as atitudes tomadas por eles na frente da criança, deixando-a insegura Muitos pais se sentem ameaçados pelo o amor que a criança sente por cada um envolvido na situação. É preciso pensar que os lugares são diferentes e o sentimento por cada um deles também será diferente. Por isso, tanto pais quanto avós precisam cuidar para que não travem uma competição, um jogo em que a criança pode acabar vivendo algumas situações difíceis: uma delas é se aproveitar do jogo para ter vantagens de ambas as partes; a outra é pensar que precisa fazer escolhas não podendo amar a todos.
Os avós precisam cuidar para não desautorizarem os pais: se não concordarem com alguma atitude que está sendo tomada por eles, questione, busquem compreender ou fazê-los repensar. O que não pode acontecer é o pai e a mãe pensar que os avós estão cumprindo com um combinado quando na verdade não estão. Independentemente do que seja, pode ser algo simples como um desacordo relacionado à alimentação da criança, por exemplo, uma mãe que diz: "Eu quero que ele coma feijão todo dia". Se a avó não acha necessário ou acha difícil dar porque a criança não gosta, pode pedir à mãe para consultar o pediatra ou propor algo que possa entrar como substituto desse alimento... O que nunca pode acontecer é dizer que está fazendo o que na verdade não está. Do outro lado, também assistimos mães e pais insatisfeitos com algumas das atuações dos avós. O problema é quando passam a reclamar e a questionar as atitudes tomadas por eles na frente da criança, deixando-a insegura. Um outro cuidado a ser tomado é quando os pais chegam à casa dos avós para pegar a criança e, por sentirem-se culpados por sua ausência, acabam cedendo aos seus pedidos anteriormente negados por um dos avós. Ela fica sem referência e aprende que as suas vontades são soberanas. Lembrem-se: existe uma criança em jogo que aprende muito mais pelas ações, pelo que assiste e pelo que vive junto aos adultos, que para ela são referência. 


Mônica Donetto Guedes é psicanalista, psicopedagoga e pedagoga do Apprendere
Espaço Psicopedagógico.

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