Meus amigos

Meu filho(a) virou adolescente, e agora?



A infância está ficando para trás. Seu filho cordato, tranqüilo, está diferente. Contraria, desafia as regras, os valores e o jeito da família viver que sempre aceitou. Oscila entre a conduta mais infantilizada, manifestando o desejo de continuar a ser criança e a mais madura, buscando ter as vantagens da condição de adulto.
Muitos pais se assustam, acreditam não conhecerem mais o filho, detendo pouco a pouco menor controle sobre sua vida, seus programas, seus amigos. É um momento de estranheza para todos, é esperado que o adolescente aja de forma contraditória, mas precisa encontrar estabilidade em seus cuidadores.

Percebo muitos pais agindo de forma confusa. Por um lado, querem manter controle sobre o filho, estimulam a sua dependência e, por outro lado, são extremamente permissivos.

Para um jovem crescer saudavelmente, ele precisa ser tratado de modo coerente e responsabilizado pelo que já é capaz de dar conta. Não estou dizendo que seja fácil e sei que os pais sentem-se inúmeras vezes entre a cruz e a espada, isto é, ora pressionados a relaxarem nos limites ou tentados à imposição de regras rígidas.
O que fazer com filhos adolescentes?
Para começo de conversa, temos que considerar que uma das tarefas centrais desta fase é a gradativa separação emocional dos pais rumo à aquisição de maior autonomia e que não há como prever as formas e os meios que o adolescente utilizará para realizar isto.
Rebeldia, brigas, confrontos fazem parte deste processo porque, ao contrariar, o adolescente está escolhendo o que serve e o que não serve para ele, está construindo a sua individualidade, a sua identidade. Mas cuidado, não é de um dia para outro que seu filho deixará de viver sob sua responsabilidade, decidindo sozinho sua vida.

Diante disto, em primeiro lugar, temos que aceitar a separação que está acontecendo. A criança cresceu, está adquirindo maior independência, mas não está lhe abandonando. Em segundo lugar, acredito que os pais têm que marcar presença, precisam ser autoridade sem ser autoritários, precisam oferecer um referencial até mesmo para que o jovem tenha claro algum parâmetro, mesmo que para ser contestado.

Pais que não oferecem restrições, que agem de igual para igual com os adolescentes, mais atrapalham do que ajudam, porque liberdade demais soa como indiferença, desamor, abandono.

Se você discorda, por exemplo, que seu filho fique até tarde numa festa, beba, enfim, não tenha receio de expor o que pensa a ele. Mesmo que não siga suas recomendações haverá maior probabilidade dele ser mais cuidadoso consigo, mais responsável por suas ações, pois a referência dos pais irá ajudá-lo a ter maior controle.

O mais importante é que pais e filhos também tenham tempo para conversarem, para se ouvirem, refletindo sobre os pontos de vista de cada um. Desta forma , haverá mais chance de ambos sentirem-se respeitados e crescerem numa relação dinâmica e criativa.

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