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Como falar de sexo com seu filho?

Conversas de mãe para filho(a)

Certo dia seu filho ou filha vê uma cena de sexo na televisão, encontra uma camisinha na gaveta ou fica em dúvida sobre como as crianças nascem. Isso significa que chegou a hora de falar de sexo. Deu medo? Não se desespere.

Para conversar esse tipo de assunto não se deve esquecer que ninguém sabe de tudo. Se a pergunta for complicada, não se envergonhe em dizer que não sabe, que vai se informar melhor e responder depois.

"É importante esclarecer que nenhum progenitor deve dissertar sobre sexo com seu filho, e, muito menos, sair pela tangente diante dessa situação, desconversando", diz Margareth dos Reis, psicóloga e terapeuta sexual do Instituto H. Ellis.

Quer dizer, é necessário responder exatamente o que a criança está perguntando e não mais que isso - a não ser que ela volte ao assunto. No caso dos adolescentes, "é essencial que os pais usem uma linguagem acolhedora e esclarecedora que permita uma interação simétrica entre eles", afirma Margareth.

Virginia Bedin, psicopedagoga e colunista do Terra, reuniu algumas dicas importantes para a hora da conversa:

- Não deixe a criança sem resposta;
- Responda apenas o que a criança está perguntando;
- Use uma linguagem acessível;
- É importante que os adultos não alimentem fantasias e mostrem a realidade para as crianças;
- Você pode comprar um livro que aborde o tema e ler junto com a criança;
- Participe de brincadeiras que simulam o nascimento de bebês se a criança solicitar;
- Não repreenda a criança por perguntar. Ela pode criar a fantasia de que é feio falar sobre sexo.

Serviço:

Vírgina indica livros para ler junto com seu filho:

De onde eu vim? (Editora Scipione) - Claire Llewellyn e Mike Gordon, responsável por grande número de livros para crianças, conta neste livro como são feitos os bebês, como os pais preparam a chegada deles e como cuidam dos pequenos depois disso.

O que papai e mamãe fazem? (Editora Impala) - Este livro produzido pela Associação Espanhola de Sexologia Clínica responde diversas dúvidas que as crianças têm. Desde como nascem os bebês até como não engravidar ou o que é homossexualidade.

Estes ensinam os pais a se sair bem nas conversas:

Conversando com o Adolescente Sobre Sexo: Quem Vai Responder? (Editora autêntica). A proposta de Gerson Lopes e Mônica Maia é ajudar os pais a compreender a sexualidade dos adolescentes. Tentam mostrar que a compreensão funciona melhor que o simples controle.

Falando com Seu Filho Sobre Sexo (Editora Summus). Maria S. Calderone e J.W. Ramey ajudam os pais a responderem à perguntas dos filhos sobre diversos temas da sexualidade, de acordo com a faixa etária da criança.

Sexo: Como Orientar Seu Filho (Editora Planeta do Brasil). A idéia de Marcos Ribeiro é dar aos pais subsídios para educar melhor seus filhos na questão do sexo, para não terem medo de errar ao responder as perguntas.

O porquê dos porquês
Podemos dizer que a curiosidade do homem provém da necessidade de compreender a si próprio e o mundo que o cerca. Neste sentido, os primeiros achados da criança são adquiridos a partir da exploração de sensações que realiza tanto em seu próprio corpo quanto na relação com as pessoas que se ocupam de seus cuidados corporais através de experiências de carinho, alimentação, higiene etc...
Gradativamente estas descobertas, entre tantas outras, vão se combinando formando a noção de eu. Entre três e quarto anos, quando a noção de eu está mais consolidada, a criança descobre que para tudo existe uma causa e passa a desejar insistentemente saber o "porquê" de tudo. Não aceita que as coisas aconteçam sem uma razão identificada, tudo tem que ter uma explicação. Perguntas como "Por que o céu é azul? Por que o sol é amarelo? Por que a tia é tão gorda?" tornam-se corriqueiras e por vezes colocam os pais em situações constrangedoras.

Percebe-se que a criança pequena fica especialmente interessada em saber de onde veio, como foi feita, as diferenças entre meninos e meninas, além das questões relacionadas à morte. Na maioria das vezes estas perguntas são as mais difíceis de serem respondidas pelos pais, pois estão diretamente relacionadas a forma com que lidam com a sexualidade, com a vida, com a morte, com a religião, com os tabus que cercam o comportamento humano; entre outras questões.

Mas o que os pais podem fazer em meio a tantas indagações?

Inicialmente, assumir diante do filho que não há resposta para tudo, que o papai e a mamãe sabe-tudo definitivamente não existem. Quando se trata de uma pergunta com resposta, os pais devem procurar respondê-la com palavras simples e claras. É a idade da criança, o tipo de experiência que já teve e o seu grau de curiosidade que determinam o quanto poderemos falar, ou seja, estes seriam os sinalizadores que indicariam a capacidade da criança assimilar as informações que lhe transmitimos.

Por exemplo, se ela pergunta "onde eu estava antes de nascer?", dizer que estava dentro da barriga da mãe pode ser suficiente para aquele momento. Se a criança quiser saber mais, aguarde que a mesma introduza uma nova pergunta do tipo "como eu fui parar lá dentro?" O comportamento indagativo na infância é importante pois incentiva a interação da criança com a sua realidade, a exploração do mundo, desenvolvendo a criatividade e o senso crítico. Preserve, respeite e estimule. 

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